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CLÍNIAS. Sobre a Discórdia (en Portugués)
Jonas Batista Dos Santos (Autor) · Independently published · Tapa Blanda
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14,08 €Atenas, século V a.C. Thaida, uma mulher com aridez espiritual, busca respostas e o oráculo de Delfos lhe revela um nome, Clínias, Filho de Axíoco, discípulo de Sócrates, conhecido por sua firmeza e amor à verdade.
Entre a admiração e o temor, Thaida inicia um diálogo que transcende. O que começa como busca por orientação transforma-se em confronto de almas: ele, marcado pela experiência e pelo peso de um mestre inesquecível; ela, ferida pelas ilusões do passado, mas disposta a descobrir se ainda há ordem possível em meio ao caos.
Pode a virtude ser ensinada ou transmitida? Até que ponto os deuses, ou o divino, interferem em nosso destino?
Em quatro atos, acompanhamos não apenas o encontro entre Clínias e Thaida, mas também o legado dessa união: os doze filhos, o filósofo Plínius que ousa questionar os deuses, e a tensão eterna entre discórdia e ordem, na alma humana e no Olimpo.
O "diálogo" é fortemente inspirado por Platão, mas não segue o estilo de Platão. A narrativa se desenrola em três atos principais: o encontro e união de Clínias e Thaida, o debate filosófico do filho Plínius, e um desfecho mítico no Olimpo.
A divisão em atos e interlúdios permite pausas para reflexão sobre o que foi discutido. A evolução da história (encontro, debate, consequências) é lógica.
A passagem sobre a democracia e a qualidade do juízo (Ato I) é um ponto alto e atemporal. A ideia recorrente de que a verdade é vivida, não apenas dita, e que palavras podem ser insuficientes é bem explorada, especialmente no sofrimento de Plínius.
Clínias e Thaida funcionam bem como representantes de ideais (a razão prática e a busca feminina por realização). O contraste entre a sabedoria experimentada de Clínias e a juventude questionadora de Plínius é um bom recurso narrativo. A Voz Feminina em Thaida pode incomodar pessoas escravas de ideologias, pois a tradição pode ofender ideais pós modernos.
A discussão sobre o Uno: O debate entre Plínius e Diogo sobre um "deus único" versus o panteão grego é o coração filosófico da obra é bem construído, com argumentos de ambos os lados.
A obra pode aparentar tentar inserir uma visão monoteísta cristã dentro de um diálogo grego. Era tendência real de alguns do período. A obra não culmina com o deus cristão e tem seu ápice no panteão.
Inserção de Mitologia: O Ato III e IV, com o Concílio dos Deuses, traz uma virada interessante. Humanizar os deuses em suas disputas (Eris vs. Atena) é uma forma de representar as forças em jogo na existência humana.
A imagem de Apolo trazendo a peste como castigo é poderosa e condizente com o mito. A inspiração é dos habitantes de Tebas que especulavam que Phebo Apolo lhes castigava com a peste.
O sofrimento e apagamento final de Plínius, sob um olhar pedante de apedeuta, pode ser confundido com uma punição cristã, "não tente ser como Deus", do que grega, onde a hybris era punida, mas a busca pela excelência, areté, era o objetivo máximo.
Os diálogos transitam para discursos. Quis fazer dessa forma e obviamente poderia ter feito diferente como fiz em Etéreo e Teodoro onde o diálogo socrático é feito de perguntas curtas que levam o interlocutor a se contradizer. O estilo desse é diferente e Clínias, principalmente, se adianta a deduzir a dúvida do interlocutor a dar a impressão de que ele sabia antes o que lhe seria questionado.
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